11.13.2011
sim
um dia eu parei de consultar.
não precisava.
eu sabia que ele estava lá.
Ana Margrit |
Domingo, Novembro 13, 2011 |
Comentários e manuscritos
10.28.2011
fim
- eu te amo. - ele disse.
- eu também. - ela respondeu.
Ana Margrit |
Sexta-feira, Outubro 28, 2011 |
Comentários e manuscritos
10.3.2011
sempre bom ouvir de você
ou RES:
ana querida,
parece que aconteceu há tantos anos...
e não fez nenhum ano ainda!
quantos anos se passaram no teu ano
esse ano?
quando entro no teu tempo
sinto o tempo imenso
que passou
está passando
em outro tempo
(por dentro)
foi isso
que senti quando li tua mensagem
você atravessando mares
e desertos
isso mesmo, ana
não para.
Ana Margrit |
Segunda-feira, Outubro 03, 2011 |
Comentários e manuscritos
9.7.2011
tem horas que a gente espera que o amor acabe. a gente aguarda. a gente quer a todo custo que ele escorra pelo ralo e liberte a mente do que ela não deveria ter conhecido. mas o amor não acaba. ele continua. ele é o halo do que a alma experimentou e nunca vai se esquecer. o amor permanece. quase intacto. mesmo que as pequenezas do corpo desiludam a realidade. o amor em si é aquele. que mora no olhar que olha e inspira. que nos faz lembrar do porque se apaixonou. e a vida segue assim. aprendendo a desconstruir dogmas, realidades estáticas. para amar de novo. aguardando. querendo a todo custo. libertar a mente do corpo. para amar sempre mais.
Ana Margrit |
Quarta-feira, Setembro 07, 2011 |
Comentários e manuscritos
9.1.2011
conversas
eu acredito no deus da consciência. de, dos-eus. nos movimentos de átomos e ondas que equilibram percepções e afinam o entendimento do eu, da minha consciência, aprimorando logo a minha relação com a natureza e a existência. acredito num movimento de dentro e de fora que nos impulsiona para a evolução, para o equilibrio de ondas, como as cordas. quanto mais consciência, mais o indivíduo pode ajudar no processo evolutivo da existência. acredito num movimento natural da natureza querendo crescer. e nos corpos que se aproximam buscando essa evolução. do que é de dentro e precisa crescer, amadurecer. nessa dança, os corpos se aproximam como peças de encaixar que sentem o halo do que precisam naquele momento para aprimorar sua própria biologia. numa matemática que envolve o corpo, a mente e o espírito. uma evolução, porque a natureza quer evoluir para algum próximo ponto. e quando a tarefa chega ao final, quando se conclui mais uma etapa, é a hora de separar. para um novo começo. para recomeçar outro ciclo de crescimento. amadurencimento e aflorar. eu acredito no deus da consciência que orquestra como imã o norte para onde a evolução quer chegar.
(current soundtrack ou para ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=ALMM3JKxpo0)
Ana Margrit |
Quinta-feira, Setembro 01, 2011 |
Comentários e manuscritos
8.18.2011
"meditação significa viver sem palavras, viver não linguisticamente. às vezes, acontece espontaneamente. quando você está apaixonado, a presença é sentida, não a linguagem. quando dois amantes estão intimamente um com o outro, tornam-se silenciosos. não que não haja nada para expressar. ao contrário, há uma aflitiva quantidade de coisas a serem expressas. mas as palavras nunca estarão lá. elas, as palavras em demasia, vêm somente quando o amor se foi... quando o amor está vivo, as palavras não estão lá, porque a própria existência do amor é tão dominadora, tão penetrante, que a barreira das palavras e da linguagem é ultrapassada. e comumente é somente ultrapassada no amor" (osho)
Ana Margrit |
Quinta-feira, Agosto 18, 2011 |
Comentários e manuscritos
6.25.2011
AMANHÃ
O que é essa beleza que sinto dentro de mim? De hiatos, sonhos e cafés. De sabores, dores e amores completados em sentenças de quereres e histórias. De entender cada dia o passo do caminho. O caminho. Essa minha viagem que empreendi numa jornada corajosa. Desse guerreiro que manda em mim e não me deixa fraquejar, desistir. Dessa força que me move para onde eu preciso e quero ir. Desde outros tempos. Tempos que determinaram qual seria a minha finalidade. Que ainda não descobri. Mas empreendi a jornada. Com paciência não. Coragem. É preciso coragem mais do que paciência para entender porque fazemos o que fazemos. Porque lutamos pelo o que lutamos. O que somos para o que nascemos.
Eu descubro a cada novo amanhecer uma força nova de vida. Uma força que move em mim uma poesia intraduzível em palavras. É uma força tão grande que me amedronta. E eu assumo o risco. Eu tomo a responsabilidade. De correr perigo para entender o sabor do que é o viver. E cair na existência mais completa. Em todas as possibilidades do que eu poderia ser. E fui.
Ana Margrit |
Sábado, Junho 25, 2011 |
Comentários e manuscritos
6.4.2011
serpentinas
De minhas luzes e letras, uma liberdade. Um amor que consolida o que sinto por mim.
Violeta.
Uma completude. O vazio que me preenche. A consciência. Incubação. Num período de desconfortos, num período de vigilância. Observação. Revejo meus conceitos. Reato com meu passado. Dissolvo ilusões. Redesenho minha vida em pedaços de verdades que reconstruo. Percebo meus processos. Descubro meu funcionamento assim, em detalhes. E me conheço novamente. Há descobertas que são possíveis apenas com o amor. Um amor de dentro, uma composição quimico-metafísica da existência. Nada de amor realizado, correspondido. O amor é de dentro. O amor é um só. Ele existe. E permeia relações. É a física quântica de amalgamar passado e futuro no presente. E se cobrar do outro completude, cai na vala do abismo e da desilusão. Porque o amor é solitário. E só junta-se na hora do compartilhar. Via de regra, é sozinho. Eu sou um tanto e sou tudo. E ainda estou descobrindo essa potência. Essa capacidade. Que no caminho encontra fraquezas e detalhes. Delicadezas. Fragilidades. Que eu não ousava compartilhar com ninguém. Ana e sua urgência. De ser assim, tanto nesse exato momento.
O amar. O sertão. O viver. O então.
Ana Margrit |
Sábado, Junho 04, 2011 |
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5.28.2011
norte
vejo ele. chegando. na casa de tijolos, cimentos e belezas. e janelas. quando ele chega, alegria. o menino de azul. de branco. de verde, vermelho. num exercício de abstração.
ana se vê. ana anda, corre, ana nina. faz bolo. realiza-se dentro de um universo de sorrisos e fanfarras. na simplicidade dessa casa assim, cheia de cores e música. onde pela porta quase sempre aberta entram amigos e felicidades. vem, pode entrar. eles trazem doces, vinhos, pães e flores. banjos, violas e bongôs. dentro da nossa casa cabem músicas e alegrias. e amigos assim, que gostam tanto de gostar da gente.
dessas possibilidades, poderiam ser janelas grandes assim. e sendo como são, ana e o menino de azul eram amigos de outrora. de conhecer-se dentro. íntimo. individual. sem precisar de tanto falar. era mais no entender. que morava essa amizade de risos e falas e ares. sem precisar de além. sem precisar perceber. mas, de tempos em tempos, hiatos fazem o tempo parar momentos de angústia. o não ver. a solidão. quando amamos, algumas vezes descobrimos no mesmo instante o que é ser sozinho. no mesmo tamanho e proporção. porque quando vai embora aquele que se ama, fica o abismo, o silêncio. o vazio. mesmo que seja para perto. mesmo que seja para ali. a solidão: o espaço que não espaço. que só pode existir quando existe o amor. que não cabe dentro do que é da gente.
quando ana lembra da casa, então. que essa vida existe num lugar que ela não sabe como dizer. mas sente que existe. prestes a transbordar realidades. de bicicletas, toques e sorrisos. olhares, doces e sentidos. de integridades e viveres. de um prenúncio de história que precisa e pode ser construída: num agora de amor que não cabe dentro do coração.
Ana Margrit |
Sábado, Maio 28, 2011 |
Comentários e manuscritos
Por outro lado...
"(...) aguardar significa adiantar-se, significa sentir o tempo e o presente não como uma dádiva, mas como mero obstáculo, significa aniquilar o seu valor intrínseco e saltá-lo espiritualmente. Dizem que é enfadonho esperar. Mas ao mesmo tempo, e mais propriamente, é divertido, porque assim devoramos quantidades de tempo sem as viver e explorar como tais. (...) o tempo desperdiçado na espera não faz envelhecer."
Thomas Mann - A montanha mágica
Ana Margrit |
Sábado, Maio 28, 2011 |
Comentários e manuscritos
5.22.2011
Tempo...
...é um tipo de dor que não tem como ser descrito. Um aperto de quase certeza. Um aperto que tem de ser vivido. Como se a certeza de que esse aperto vai passar fosse o motor da força. Eu sei, Ana. E não sei de onde vem essa sapiência. Eu sei que vai passar. A dor. E Ana acredita que o amor é o remédio. É dor de cura. E de onde vem essa certeza de que o final é feliz? Não sei, Ana. Mas eu sei.
Ana Margrit |
Domingo, Maio 22, 2011 |
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4.29.2011
jejum
porque já não havia mais necessidade de tantas palavras. era vida.
Ana Margrit |
Sexta-feira, Abril 29, 2011 |
Comentários e manuscritos
4.23.2011
um dia vou ter você pra mim. mas não tenho compromisso nenhum em estar certa disso. é o frescor da vida nova. o novo de novo. quem sabe o que será? a vida e o novo. um futuro novo de novo. a vida vive. porque a vida quer viver. sinto. que um dia vou ter você pra mim. com o braço que me enlaça dizendo que sou sua. sem dizer. com a mão que guia meu norte. sem guiar. mas não tenho compromisso em estar certa. hoje eu sou sua amanhã. amanhã a vida é quem sabe. eu me jogo nos seus olhos de fortaleza. e sou sua de novo. porque eu sou cada vez mais minha. e não se trata de amor. mas não tenho compromisso nenhum em estar certa disso. e a vida vive. porque a vida quer viver.
current soundtrack: i do - colbie caillat
Ana Margrit |
Sábado, Abril 23, 2011 |
Comentários e manuscritos
4.20.2011
perverso
Vou refazendo você. Eu refaço você. Esse tudo que começou assim, meio sem inicio. Meio que desde sempre. Meio que mesmo fim. Eu refaço sentidos. Reouço compassos batidos. E de repente... Liberdade. Na construção de sentimentos. E eu já não tenho medo de perder. Porque a paixão foi dando lugar a um abismo. De uma certeza de que nada é permanente. Sinto o que é perder a cada instante. Me perder de mim. Ana se perde a cada instante. E eu falo a ela: Ana, perca-se de si, mas não perca a experiência. Não anestesie esse infinito de pulsões, mesmo que doa. Mesmo que arda. Largue mão do abismo e viva. Guarde seu vestido, jogue fora o gemido. De saudade do que não existe mas vive aqui. Grite e não hesite. Em acreditar. Que estou aqui. Ana sou aqui, viva e mais. E mais. Nesse carnaval de outras vidas. Que dançam na cidade das luzes que pulsam a beleza de estar e ser. A beleza que é reverenciar. O amor pelo amor de dentro. Sozinho. Não existe nós. Existe a única grandeza que é aprender amar. E refazer o amor. Agradecer. Dentro do que é a poesia de se aprender a viver.
(eu era um desafio à poesia ter mais beleza do que a vida. Porque a vida acontecia assim, em ventos e tanta poesia. Que era beleza de vida. Cíclico. Não havia dor que tirasse a beleza porque a dor também era beleza. Era dor que escorria sangue escarlate, sol posto em flor. Para doar de mim toda a força e alegria eu precisava desse sentir. Respirar a poesia repetida. Quase refrão em meio ao barulho dos automáticos ventríloquos sem alma. Eu era uma alma. Que sabia a direção. De presente, ganhei um norte. De dentro. A me desafiar. Tanta poesia)
current soundtrack: teardrop - massive attack
Ana Margrit |
Quarta-feira, Abril 20, 2011 |
Comentários e manuscritos
4.10.2011
livre
É que com esse amor eu posso ver a chave. A chave que vai me abrir para mais amor. Mais amor assim, pleno, distante do outro. Perto de mim. É que esse amor me aproxima do que é meu de dentro. Não depende de você, do menino. Ana. Só depende de Ana criando e sendo. Sendo a tal ponto que pode explodir em si e só criar maravilhas. Sendo. Ana sendo. Livre. Menina flor. Para que eu um dia não precise responder meu nome. Possa dizer, meu nome é eu. Sou um eu todo sendo nesse instante. Mulher, homem, gorda, magra, cansada, inchada, cansada, falante, irritada, bonita, feia, enrugada. Olá, sou eu. Eu. Toda a gama de verdades, mentiras, buscas, encontros. Eu. Toda musicada em quatro compassos de ser. Eu. Aqui. Pronta para ser mais dentro desse amor que me pertence. E a mais ninguém.
Flores. Eu quero flores.
É que com esse amor, que os outros julgam, eu posso ver a chave. Outros são outros universos que compõem suas próprias verdades. Eu não as julgo. Porque a minha verdade tinha que ser vivida do jeito assim, como eu a vivo. Nessa liberdade que é muito mais que liberdade. É o ser em plena expansão com responsabilidade de ser dentro de si. Essa é a minha liberdade sem nome, sem rosto, sem peito. Só a possibilidade do amor. Amor de si. Amor de dentro. Amor amálgama. Amor sendo.
Ana era amor sendo viva. Com sede, ser tão. Não se identificava na foto com seu olhar doce de menina mulher. Era cobra que serpenteia a própria dor. Tudo em busca desse fundir-se com o universo esperando sair do chão, levitar, com os pés firmes no que a beleza pudesse calcar. Era Ana assim, vários nomes, flores de março chovendo belezas. Colhendo tempos.
Eu podia. Mas é que com esse amor eu ganhei minha última chance de quebrar minha pedra de séculos assim, sem amar. Então, eu te trago minhas flores, postas em louvor pela possibilidade de dentro de mim. Meu céu, minha aleluia. Minha abertura de viver, respirar. Eu sei. Meu nome é eu. Mas eu ainda preciso chegar.
current soundtrack: all flowers in time bend towards the sun - jeff buckley
Ana Margrit |
Domingo, Abril 10, 2011 |
Comentários e manuscritos
4.9.2011
vida
Eu não trocaria. Por nem um décimo de segundo eu não trocaria. Nem por dinheiro, nem por promessas, nem por todo ouro. Eu não trocaria a oportunidade de estar nesse corpo. Nessa história. Na minha própria vida. Como se Ana tomasse seu chocolate quente a espera de um menino. Essa espera era a espera dela. Por ela mesma. Por esse azul crepúsculo que dela pode cair a tarde. Que acorda e dorme sozinha. Que espera pelo resgate de um herói que seja apenas homem. E que possa salvá-la da masmorra do silêncio. Não é pela liberdade, livre que ela era. Mas pela possibilidade de compartilhar. De verdade as forças e as dores. Talvez as alegrias, as vontades.
Ana queria viajar.
Andar pelas ruas de mãos dadas com o menino, sabendo que aquelas mãos estariam em breve em outro lugar. Dentro do que era dela. Música francesa. Criação. Apaixonar-se era a grande oportunidade para criar uma nova realidade. De cores e possibilidades. Mas que ninguém garantia. Não havia garantias de que apaixonar-se era ser feliz. Felicidade era artigo para poucos iluminados. O que a gente queria era brincar. De fazer de conta que.
Faz de conta que a tarde era rosa e a gente se amava. Faz de conta que a felicidade era simples. Faz de conta que poderíamos morar no campo. Faz de conta que a mesquinharia não venceria. Faz de conta que essa música era o momento em que você chegaria.
Caminhávamos por ruas estreitas de vontades. E de conclusões. Ela era dele, queria ser dele. Era inteira. Mas ele não chegava. Ela esperava.
porque eles faziam sentido juntos.
E um dia o sol nascia.
E um dia, Ana acordava.
current soundtrack: tudo novo de novo - paulinho moska
pauvre ruteboeuf - leo ferre
Ana Margrit |
Sábado, Abril 09, 2011 |
Comentários e manuscritos
4.2.2011
sonho
era.
uma história. escrita em detalhes. tão simétricos. chegavam a assustar.
uma dança de gentilezas.
amores. prestezas. histórias intercaladas entre sorrisos. vidas. pulsavam na história escrita em detalhes.
flores e aleluias. num tempo de possibilidades. eram medos que cortavam lendas de histórias que não
podiam ser escritas assim.
mas eram uma liberdade.
na história escrita em detalhes. era amor que nascia de uma sensação de que já estava ali.
sempre esteve. quieto em conversas, em toques. em negação. um rio de vontades e desejos.
responsabilidades. eu queria entender que naquela saudade mora a minha única possibilidade
de libertação.
eram flores caindo na primavera em campos de correr livre.
para os braços da alegria. para a criação primeira da vida. para o permanecer nesse quieto mundo
da felicidade. e do poder. estar junto e conquistar o mundo. azul e rosa, violeta. o mundo era o nosso
mundo de dentro. nossa realidade.
mas eu queria mais.
e sabia. que o espaço-tempo não permitiria. nesse tempo agora.
mas era uma história. escrita em presentes.
agoras.
eu sentava e escrevia. probabilidades. desenhadas a mãos com esmero.
uma história em detalhes.
de calores e verdades. possibilidades.
para a única história. sem desfecho. que acontecia.
ansiosamente.
agora.
current soundtrack:
dreamgirl - dave matthews band
better days - eddie vedder
Ana Margrit |
Sábado, Abril 02, 2011 |
Comentários e manuscritos
3.27.2011
de mudança
Eu quero. O castelo do conto de fadas. Que não é o castelo encantado. Eu quero o castelo que tenha paredes para demolir. Paredes rachadas, que faltam pintar. Eu quero a possibilidade de. Desconstruir. Para me construir nessas paredes. Pintar quadros com as mãos. Lapidar. Pendurar com delicadeza a minha arte. A minha história. Minha cor.
Eu quero. O castelo do conto de fadas. Que não é o castelo pronto da princesa. Quero o castelo quase hipotecado. De dívidas e memórias. Que precisa demolir. Mas vem cheio de histórias. Vidas passadas, armadas, vividas cheias de cor, dor, alegrias. Um castelo que ainda esteja disposto a reconstruir suas paredes para que sejam novamente brancas, limpas, inocentes. Para que eu possa pintar. Eu compro. Eu assumo a responsabilidade de edificar.
Cada nova história. Cada novo sentimento dentro do castelo de possibilidades da princesa. Cada vez que eu perceber. Que ali existe a possibilidade de criar. Novos contos, novas histórias. Novas mobílias para eu comprar. Um castelo com vista para o horizonte de infinitos. Paisagens de desejos. Mas alicerce no chão.
E cada pedaço do castelo será meu. Para que eu possa morar. Relaxar meus medos. Ter para onde voltar. Ficar quieta com meus cansaços, meus confrontos, minhas alegrias de menina mulher. Sem lembrar que a princesa quer o príncipe. Ela não quer. Nunca quis. Ela só quer um castelo, uma fortaleza, de um homem gigante, imenso. Onde ela possa morar.
current soundtrack: mulatu astatke - Tezeta
Ana Margrit |
Domingo, Março 27, 2011 |
Comentários e manuscritos
3.23.2011
ATO
Ana é teatral. Pegajosa. Como uma lama em lótus. Na flor de lótus. Um drama sem fim. Ela arquiteta. Ela beija o moço de azul. Na esquina da avenida. E como recompensa recebe um amor. Ainda meio atravessado. Um amor verde, um amor azul. Um amor que nem se chama amor ainda. Mas que é pulso e pulsa dentro dela. É pulso de vida de poder dizer a verdade. Sinceridade. De dizer assim: meu drama é real e divertido. Quer brincar comigo? Quer brincar de viver? Liberdade. Porque a vida pode ser divertida. Pode ter poesia nos nossos dias. Pode ter medo. Pode ter será. Intimidade. Mas deve sempre ter vida. Vida vivida. Vida arriscada. Vida dizida de coisas que a gente quer viver. Ana quer o menino de azul. Perto. Quente. Tomando café. Sorrindo gentilezas. Da rotina diária de saber, assim, como é bom estar e ser perto dela. Ana, menina. Porque é bom querer. Exaurir e acolher. Sem explicar. Ana. Sem dizer que precisa. Porque a vida acontece.
Sem drama.
have I been blind?
have I been lost?
inside myself and
my own mind
current soundtrack: carnival - natalie merchant
Ana Margrit |
Quarta-feira, Março 23, 2011 |
Comentários e manuscritos
3.19.2011
CHÁ
De repente, não havia mais medo. De largar mão de uma história. De fazer a vida continuar. Eu senti. O ar passando em meus pulmões esvaindo-se em movimento.
Eu colocava a mesa, a toalha xadrez. Na parede, o quadro rosa. Ele estava lá. Um entardecer. Em cada alimento. Ali, na mesa. Como se toda possibilidade coubesse ali, naquela refeição.
Eu cuidava. Da casa, do almoço, do seu coração. Uma verdade transbordava daquele copo. Eu era mulher. Inteira, escrevendo contos de vidas vividas em subúrbios, metrôs. Eu conhecia. O outro lado. As vertentes mais densas, sentimentos. Mas naquele pedaço de casa, eu era mulher. Que ficava, zelava, estava para ser assim, amada.
Não importava. Era a dança que fazia o sistema funcionar. O café, o bolo, a toalha xadrez. Daquele pulso, brotavam prosas, livros, amores. Sabores de passados, futuros, enfim. Viagens a lugares distantes, proibidos. Toda a vida, um vir a ser.
Com a velocidade de um amanhecer, todo meu reino acontecia em pleno sol. Ornado por desejos e possibilidades. Vontades. Vermelhos e xadrez. Rosas. Entre tardes e entardecer.
Eu dançava naquela casa que se fazia ali, inteiramente aos meus pés. Minha inteira vocação. Sentir-me grata por amar. Deixava o sonho chegar quieto, bonito, inteiro. Uma melancolia se aproximava dizendo que era preciso crescer. De repente, eu não tinha mais medo.
Eu queria, precisava saber o quer era me jogar. Numa certa dor da perda que não era dor. Era vida. Era abrir mão de uma vida que podia ser minha. E só perdê-la significava tê-la de verdade. Eu entendia. Que a identificação com a dor alheia trazia o misto da alienação e da miséria humana, a vontade de se anestesiar pelo que é o outro assim, apenas.
Do outro era o outro. Eu tinha o rosa, o doce. A flor e o xadrez. Eu era a possibilidade, a vida. De uma hora pra outra, eu deixava ir. O que eu mais queria na vida. Eu deixava ir. Porque a vida era abrir mão para o universo. Na pulsação de infinitos, a vida precisava acontecer. Eu não podia reter aquela vida que talvez não fosse minha.
Eu aprendia a amar a cada passo. A cada gesto. A cada beijo tirado com esforço e esmero. Eu entendia. Não havia mais medo.
Eu era mulher inteira, vivendo uma história de metades. Eu aprendia. Que para a vida acontecer, era preciso deixar ir. Era sentir esse vazio da solidão que é o único sentido da vida. Saber viver o próprio silêncio como banquete. O próprio sertão intenso. O deserto encantado. De possibilidades dentro. De uma vida inteira que transcorre em versos, prosas e pulsão. Eu deixava ir. Uma história vivida. Para ver se abria espaço. Para mais amor.
(infinity is a great place to start)
current soundtrack:
no line on the horizon - u2
use somebody - kings of lion
Ana Margrit |
Sábado, Março 19, 2011 |
Comentários e manuscritos
3.18.2011
TARDES
Ele era. A possibilidade de materialização. De uma liberdade. Da menina que vê, pensa e sonha com a realidade mental da concretização de um corpo. De uma história. Um experimento, um gosto. Sabores e cores transitavam naquelas ruas estrangeiras de sorrisos e delícias. Ele adivinhava. Cada pedaço que o corpo pulsava. Cada meandro daquela história. Cada beleza que dela se expandia, mulher menina. E não sabia.
Ela não entendia. Como o tempo e os rumores estavam enganados. Como a materialidade da experiência valia infinitamente mais do que milhões de pensamentos. Somos virtuais. Para sair desse tédio, criamos histórias. Mas ela descobriu.
Que a felicidade são pedaços de pequenos momentos de verdade. Da concretização dos sentidos. Empírica. Sensorial. O intelecto é subordinado a uma escala infinita de antes sabores e pulsões. Mas teimamos em achar que a cabeça sabe o que faz. Que meticulamos por meio do racional essa vida. Tão mundana. A vida só quer acontecer.
E quando a vida acontece...
Ele era. Uma ponte para sentires, falares e estares. Um fato. Concreto prazer de se apaixonar por si mesmo pelos olhos do outro.
Pelas ruas estrangeiras de pulsos e verdades.
Ela passava tardes.
Ela ouvia verso. Em forma de prosa.
Ela era uma espera.
E caminhava.
pack your bag, something small
and when we get to the ocean,
we take a boat to the end of the world...
current soundtrack: you and me - dave matthews band
Ana Margrit |
Sexta-feira, Março 18, 2011 |
Comentários e manuscritos
3.13.2011
Autorretrato
Eu exagero. Não sei onde pisar. Fico nessa falta, nessa abismo, necessidade de ar. Onde está a beleza? Minha mera pretensão. De lábios e olhos e todos mascarados em uma inutilidade de versões sobre a vida. Bonitas carcaças sem vida pulsante. Que ainda gosto de usar. Ana, menina, que saiu do nada para nenhum lugar.
Eu gosto de cantar. Sei que minha arte não encobre minha existência. É parte dela assim, de emoções picotadas, sentidas. De felicidades que nocauteiam minha racionalidade em bobagens de menina.
Eu desconstruo essa mentira. Mas é uma difícil mentira de desvendar. Talvez eu tenha essa vida para descobrir. Como encobrir minha vergonha diante do que eu sou. Essa coragem. Esse acolhimento. De estar assim, tão intensamente enganada a respeito de mim mesma. Pois somos irônicos com a vida quando a sinceridade quer aparecer. E para a ironia resta apenas um pouco de apatia, assim, disfarçada de graça.
Eu pergunto ao pùrpura se essa cor é real. Se o que estou vendo é o que minha emoção é capaz de ler com meu corpo e meu intelecto. Se tudo não passa dessa interpretação banal. Preciso ver fatos, encarar a vida como sopro, não essa interpretação. Os dias de trabalho começaram. E não tem dia para acabar. Não me enxergo no espelho que sempre me refletiu. E preciso construir minha imagem, minha vida. Desconstruir a idéia de que sou alguém.
Eu não respiro, eu rastejo uma possibilidade. Quero o todo sem o envolvimento com a parte que frustra, entorpece. Um carinho diante de meus olhos. Percepção de que meu coração vive como meu corpo que vive como minha emoção. Para a única possibilidade de uma vida de verdade.
Porque aceitei. Aceitei de bom grado. Aceitei e confirmo meu voto. De viver cada uma de minhas dores como cada um de meus amores. Porque a vida pulsa sem nome. É só uma viagem. Rápida viagem de amanhecer e anoitecer assim. Uma grande e única experiência.
wont you dance with me?
in my life of fantasy…
take a chance with me
current soundtrack: nouvelle vague – dance with me
Ana Margrit |
Domingo, Março 13, 2011 |
Comentários e manuscritos
3.1.2011
HORIZONTE
Era um verso. Mas ele pediu. Prosa.
...e ela deixou.
Ana Margrit |
Terça-feira, Março 01, 2011 |
Comentários e manuscritos
2.19.2011
SURPRESA
Me dei conta de que construi meu personagem. E nem um pouco eu desconfiava desse meu egoísmo, dessa minha visão tão diminuída. Totalmente encarcerada. Onde o outro já tinha um papel pré-estabelecido e não cabia espaço para a surpresa, para o desvendar do outro assim. Não havia o susto, pois havia de serem cartas marcadas. Nesse teatro que eu queria encenar. A ignorância de não saber ouvir, de não saber esperar. Pelo surpreendente. Pelo novo. Pelo outro.
Eu sinto medo.. Um susto de quem descobre o conto e conta.
Eu me amava no espelho que os outros espelhavam. Porque sozinha, eu não sabia amar.
Ana Margrit |
Sábado, Fevereiro 19, 2011 |
Comentários e manuscritos
2.18.2011
RESPIRO
Um hiato. Quando a sensação termina e por fim, o abismo. Que tenta resgatar novamente aquela emoção, aquele delírio. Que um dia acaba. Por fim.
... a paixão é inventada pela mente e construída. não é coisa do coração. é coisa louca que a gente imagina e transpõe assim, como se fosse verdade absoluta. e não é, ele orientava. é tudo criação.
Tranformar o profano em divino é o passo que ainda não demos. O abismo. A possibilidade que tudo pode ser, mas ainda não tem essa dimensão.
Ana Margrit |
Sexta-feira, Fevereiro 18, 2011 |
Comentários e manuscritos
2.8.2011
VONTADE
Eu destruo cada pedaço de você. Essa dor imensa de nada. De viver. De saber assim. Uma alegria.
Agora é a hora. Em que você chega e arrebata. Cada centímetro do que trago em mim. Meu demônio. E a teimosia em me mostrar. Dentro do que você imagina. Me. Assim. Desarmada. Doente.
Agora, sim. Hora em que você arrasta. Satisfeita, me sento esperando o complemento. Um desvio. Sangrando cada falta. Cada hiato da mentira. O olhar enviesado. De um parágrafo estilhaçado de acordes destoantes.
...ele se encantava a cada pedaço deitado da roupa dela assim, tão jogada que parecia liberdade. fragmentos de si espalhados pela sala, pelo sofá, na cama improvisada. No horizonte, aquele mar. O gozo. Aquela possibilidade. Um caminho, tão nua que parecia liberdade.
Porque caminhavam tão distantes que a saudade fazia. Um laço, um breve. Uma vontade de estar assim tão perto. Tão pela dor que dava no peito. Das coisas mais cinzas e multiplas. Orgasmos. De uma profundidade difícil de se alcançar. E acontecia. Era um brilho, uma noite inteira inundada da mais clara pulsão. Milagres e vertigens. Todas elas assim, apagando delírios.
Acontecendo à exaustão.
Eu não acredito em deus.
Mas acredito nessa força que me impele a estar assim tão próxima de chegar.
... ela se encantava com o poder que deitava na roupa assim, tão nua que a poesia dele aliterava. Uma força, um pulso. Ela gritava. Porque dentro dele ela era. Ela sabia. Ela sentia que a verdade estava lá. Na hora certa. No querer tão forte, no fazer arte.
Enquanto isso, ela era ela.
E anoitecia.
Ana Margrit |
Terça-feira, Fevereiro 08, 2011 |
Comentários e manuscritos
2.6.2011
RUA
Porque na ilusão tudo pode ser colorido como entre nossas vidas assim, tão perfeitas que não demoraria, seria assim. Um pouco mais do mesmo. Pedir uma música, esperar um contato. Não fossem tantas as ilusões dessa vida, não haveria cuidado, não haveria Ana, menina, atravessando a rua, de maneira tão delicada, pensando que sonhava. Mas não sonhava. Queria aquele pulso que só dentro da cabeça dela existia. Mas como materializar a coisa assim, de tal forma que o castelo não desabasse? Sentia tanto amor que precisava espalhar. Entre túneis e mistérios, queria apenas a verdade. De dentro dela mesma. Acabar com seu ímpeto de matar qualquer sentimento que não satisfizesse seu devaneio. Porque do devaneio ela pensava, ela queria, ela sabia que poderia ser mais. Ela era uma novidade a cada dia.
current soundtrack: wonderful - joão gilberto
Ana Margrit |
Domingo, Fevereiro 06, 2011 |
Comentários e manuscritos
2.4.2011
POSSIBILIDADES
(ou desejos de criança)
Amo demais. Cada amigo como se fosse parte mim. Quase dependo dessa respiração que comigo respira e faz esse mundo mais doce de viver. Amo tanto que me disseram há pouco: carência. Perguntei a meu pai se essa carência poderia ser esse sentimento tão profundo de comunhão com a infinitude do outro. Com a possibilidade. Mesmo que me corrija se eu estiver errada. Pai disse que carência era um tempo de maturar necessidades. Mas eu disse, pai. Não tenho tempo. Sinto essa coisa já completa e delineada de infinitos de alegrias. Mesmo quando tristes.
Ana, explique melhor. Pai, amo homens e mulheres como parte do meu todo inteiro, possível, incrível. Amo tanto que chega a doer de felicidade. Amo sem depender. Amo sem precisar me corroer em respostas. Vejo. Sorrisos. Cada passo de carências de quem não banca receber amor. Quem não recebe, acha que falta do outro. Mas tenho tanto, pai. Quero poder dar desse infantil sentimento de frescor por me saber viva. Ignição de tão algo maior do que eu. Mas dentro de mim.
Há pouco tempo eu achava que não sabia amar. Mestre me disse para transformar. Poder em pulsão. Fome em exaustão. Querer em doação. Eu precisava de bases para entender que o que o outro condena é sua própria cruz. Reflexo de poderes mal amados, amores mal versados. E cá estamos nós. A mexer com os segredos da alma.
Eu desafio alguém de amor maior. A amar. A aprender a não pedir de volta. Só aceitar jogar. O gostoso da vida. Já que amamos nós mesmos através dos outros. O reflexo do que somos. Estar em comunhão consigo, persigo, permite as formas mais sinceras de amar. O jogo de poder e aceitar. De entender traduzir em vida o substrato de células e desejos. Paixões. A felicidade da simplicidade de aprender a amar.
current soundtrack: eddie vedder - you've got to hide your love away
(versão são paulo: lá no youtube)
Ana Margrit |
Sexta-feira, Fevereiro 04, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.30.2011
ORGASMO
Como um vento intenso, ela procurava de proteção. Um sentido mesquinho mas tão real de que aquela casa, aquele espaço, aquele quente precisava ser dela. Para abafar o desejo, para acalmar a solidão. Ela era tão frágil e tão grande que ficava difícil explicar que as coisas de fora ainda não expressavam o que ela queria dizer. Ela era um eu assim, ainda para acontecer. Resolveu pegar do guarda-roupa algo que pudesse traduzir felicidade. Como se dentro dela ainda não soubesse quem morava. Queria trabalhar, escrever, dissertar sobre tantas coisas. Mas no fundo esperava dele aquela palavra primeira que pudesse dar o tom, o princípio, o verbo. Como se ela fosse a esposa que cozinhava enquanto ele fazia por onde sobreviver. Era o caso de pegar aquela faca, cortar o que era de dentro para aprender a expor. Ele não sabia, ela imaginava. Toda aquela ilusão que ela inventava diariamente era alimento que ela alimentava com altas doses de carinho. E retidão. Se ficar tão só era o preço por cada momento em que, juntos, pudessem se amar tão forte que o universo pudesse ser criado, ela queria a solidão. Para saber que poucos momentos valiam a possibilidade de gozar o universo.
Ela estava calma. Há dias não sentava para ler ou dizer que estava insatisfeita. Tinha ainda certo medo de olhar para seu corpo e ver que era mulher. Naquele céu que caía noite, a poesia flutuava entre ventres e delírios. Ela tinha medo de ser mulher. Sentir aquela dor tremenda de esperar e usufruir. Tremendo. De saber que poderia ser potencialidade pura. Doendo. Permitir que mesmo diante da ilusão a vida fosse inventada todos os dias e ela pudesse olhar pra ele com um carinho inventado. Tinha medo de tirar a fantasia e ficar ali só, mulher.
Esperava.
Foi por precaução, caso ela não desejasse viver. Mas ela queria. Ela vivia. Ela pulsava uma alegria, Um poder festejar. O gozo, hiato tremendo. Ela esperava com uma seiva na mão. E sabia. Não havia mais pressa.
current soundtrack: little wing - jimi hendrix
Ana Margrit |
Domingo, Janeiro 30, 2011 |
Comentários e manuscritos
HOJE
Busco diariamente esse encontro. Essa leveza que tire de minhas costas o peso de mim. Um toque suave de sinceridade. Uma palavra que componha esse mosaico de coisas bonitas.
Busco diariamente esse descanso. Do que falo tanto e não elaboro. Do que eu preciso elaborar. De ter a certeza de que o caminho que sonho já é realidade. E está aqui. O mundo é a materialização de nossos pedidos. Todos. Num pacote nem sempre cor de rosa. Porque é preciso aprender a sonhar.
Quando viajo me esqueço de mim. E aproveito cada pedaço da realidade. De meus erros, fico com a experiência de tê-los vivido. Não quero me punir. Quero viver para ver minhas falhas, toda a parte que compõe esse eu torto, mas ainda eu. Assim, essa sombra que me cansa mas me faz tão forte de viver.
Esse cheiro de cúrcuma que me invade e me faz sentir que meu fogo interior é reflexo do que queima aqui dentro, dessa cabeça que não para de brigar consigo mesma. Dessas folgas quando não descanso de mim. Preciso da música, preciso da cor. Interior.
Meu mundo de dentro é tão infinitamente interessante, que tem horas que é difícil ficar fora de mim. Porque eu preciso maravilhas, da busca além do entender. Mas antes preciso me livrar desse peso, esse cobrar, esse deus que não é verdadeiro. Aquele que deseja que sejamos sempre melhor, sempre maior. Como, se sou herdeira do universo?
Um deus é suficiente para aplacar qualquer dor. Mas não existe dimensão que me convença de que as dores que vivo diariamente são menores. São meus deuses que falam através de mim, do meu corpo, de minha sensação. Da boca, do sonho, do sexo. Uma infinitude, uma egofagia, um poder despertar dessa ilusão de quando todos falam e ninguém se escuta. Desse monólogo que se encerra com sorriso. Sem se perceber.
Nessa caminhada solitária, o sentido é só o de dentro. Da magia do encontrar esse ouro, esse pote cheio de maravilhas. E para isso, não preciso do outro. A verdade é mais simples e solitária. Mas abarca todo universo... Sim, de maravilhas.
Ana Margrit |
Domingo, Janeiro 30, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.23.2011
A SENHA
Me rejubilo diante do milagre. O entendimento. Mais profundo momento em que mente e alma se encontram. E lá está. Imaculado. O conhecimento. Envolto numa aura de novidade. Rósea. A cor de uma verdade absoluta. Fresca. Viva. O saber. A certeza que se conhece. Que não há mestre nem profecia que possa ensinar. Ele é todo seu. Um conhecimento de uma magnutide e uma simplicidade que não se duvida. Se sabe. Ele está todo ali. O conhecimento. O grande conhecimento. Que cala. Quase fere não fosse tão reconfortante. Saber. Que ele está ali. Não há deus que submeta uma verdade dessa. Não há possibilidade. Não há vir a ser. Existe apenas o agora, na estável e permeável verdade de ser. Estar. Da tela. Em branco. A chance de transcendência que está ali. Na espreita. Aguardando quem será o próximo a embarcar na arca. Contente por entender dessa nova genética. Essa sim, possibilidade. De novas inteligências. Fraternas na liberdade. De obrigar-se a ter um corpo limpo. Que encontre mente e consciência num ponto único que faça o entendimento fluir. Físico e não-local. Tudo num balaio de sentido. O único sentido. Que a matéria é precedida de uma vontade. Não local. Que não se encontra dentro de mim. Mas aqui. Permeando me, te, se. Nós. Minha inteligência é a sua inteligência. Que dança entre a freqüência de corpos e células em seus livre-arbítrios. Convergindo para o Ponto. Onde consciência não tem ilusão. Onde a consciência é cristalina. E não precisa da matéria para descobrir. Que ela já é o milagre no agora.
Viver a aleluia dentro de meu corpo físico. Consagrar o profano. Entender isso.
Nunca amei e ainda nunca senti o amor pleno fluir entre minha Inteligência, sua inteligência. A senha. Encurtar caminhos é saber quais desígnios essa máquina que abriga minha consciência pretendia caminhar para chegar lá.
Eu sei onde quero chegar.
current soundtrack: goddess - krishna das
Ana Margrit |
Domingo, Janeiro 23, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.22.2011
ISSO, AQUILO
Todo este medo de estar aqui, ali. Sozinha. Precisando mendigar aquele pouco tanto que me falta. Todo o medo de não ser quem realmente era. Assim, de uma hora pra outra. Descobrir o salto. A possibilidade.
Existe um medo. Da incompreensão. De ser mais, além das expectativas. Transbordar. Uma vergonha, um susto. Passado.
(... papapaparará)
O presente se faz hoje jantar. De maneira frenética. Não há tempo para sentir medo.
Hora de partir.
(eu me divirto vendo a cena)
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current soundtrack: dog days are over - florence and the machine
Ana Margrit |
Sábado, Janeiro 22, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.21.2011
ORAÇÃO
É uma aleluia.
Sinto a calmaria do teu milagre. Meu caminho, limpo, claro. Meus olhos atentos. Cada palavra saboreada como lâmina que rasga a veia. Cada sibilo devora minha alma. Autofagia. Eu me entendo em meus remendos. Cada medo, um respiro. Eu sou um medo. Desde o minuto em que relutei e nasci. Eu nasci. Eu era um medo de barriga de mãe. Eu levei quatro dias de atraso para nascer. Eis me aqui. Nua.
Choro. A dor de cada medo. Tinha medo do esconde-esconde. Não sabia onde me esconder. Tinha medo do cinza-bege-claro dos brinquedos mortos que circundavam o terreiro para brincar. Asfalto. Cada criança cega, correndo atrás da diversão, que minha angústia saboreava. Elas doíam palavras amargas, enviesadas, proferidas para doer. Eu não queria correr.
Eu queria beleza.
Eu vivi cada palpitação. Cada sobressalto. Cada receio. Um suspiro de se admirar. Eu queria o casulo da minha casa. A barriga de minha mãe. Eu não queria nascer. Eu não queria me apaixonar. Sentir a pulsão de amor de pai e mãe. Eu tinha medo. Eu tinha medo que meu amor fosse tão grande que traísse quem de mim se aproximasse. Porque eu me apaixono pela paixão. Eu, superlativa volúpia, corpo de menina brincava de ensinar. Eu não sabia.
Nasci medo porque nessa terra medo somos. Enxergamos e comemos apressados. Vomitamos o que nós não digerimos. Proferimos o que não concretizamos.
Eu não pratico mais nem metade das minhas doenças. Eu sofro a dor em meu fígado e a elimino. Ainda padeço das dores que eu não conheço. Me encanto por palavras rasgadas. Quando em meu fígado alcançam o antídoto. Canto aleluia quando encontro abrigo. E sinto. A calmaria do teu milagre.
(texto de 26.01.2010 - aos pés do mestre)
Ana Margrit |
Sexta-feira, Janeiro 21, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.17.2011
DESERTO
Porque esse árido sertão inspira o melhor de mim. Minha liberdade. Essa força que está tão intricada em vielas, veias e medos. Que libera. Com um olhar de ser ele, ali. Quieto, manso. Me regendo em oração. Como se o ar quente desse deserto me roubasse o fôlego. Aquecesse meu ímpeto de querer. Naquele palácio onde eu era a rainha de todas as rainhas. Mas não havia o rei. Era difuso. Um cansaço, uma fúria para descobrir. Qual meu lugar, nosso, naquela sinfonia. Eu era rainha. Mas não havia rei em meu castelo de maravilhas. Eu vivia nessa possibilidade. De encontrar. Em cada viela, meu bósforo. Minha aleluia. Eu queria assim, cada milímetro. Do sonho, do surto, da onda de calor que me invadisse e me libertasse desse peso de sentir tanto assim. Um lábio de ilusão. Que eu não queria beijar. Mas imaginar a um palmo de mim. Pedindo. Implorando para eu estar ali. Bem perto. Imaculada, só para admirar. Uma fulminância de segredos e aliterações. Um nome. Uma honestidade em me ajoelhar e dizer o quanto eu queria aquele mistério. Aquela pulsão. Eu vivia para vir a ser. Meu futuro, minha liberdade. Possibilidade de donzelas no caminho para não lhe desviar. Do meu caminho. Eu era o choro, minha dor de nascer. Essa expectativa de liberar tudo o que é rico, puro e verdadeiro. De viajar continentes em minutos só para (te) saber. Como está. E sentir, aquele ar quente de deserto me soprar a verdade desse amor imenso que sinto e me aquece. Me consome em espera de o que será. E agora? Aqui na hora em que meu sangue escorre em passos lentos de possibilidades. Se me jogar dessa ventura, tua abertura de vida e vales não será mais a mesma. E eu preciso dessa seiva, dessa raiva, desse acorde, dessa lembrança de quem eu fui e gosto tanto. De me ver assim tão forte e rígida em você. Que chego até a me amar. Quando ouço aquele som que me ecoa parte de indonésias perdidas aqui. Só a espera do teu sal. Teu reino perdido que encontrei em mim. Porque me apaixono pelo meu apaixonar. Sei o que sei e não preciso da sua existência a vigiar. Meu amor, minha dor, minha casa. Não posso ousar. Sou rainha.
O infinito é minha única possível chance de escapar. Desse deserto de palácios que criei pra mim. E vivi. Cada milímetro dessa poesia, de infinitos e verdades. Uma tortura de delícias. Assim, tão próximo ao roteiro que não escrevi. Mas você sabia de cor.
E aqueceu. Meu corpo, meu sopro, minha vida. Num instante de ser você assim em mim. Dentro, fundo, inspirado. De onde nunca deveria ter saído. Meu herói em jornada constante de descobrir e aí. Adiante.
Teu imenso. Teu puro.
Meu mar.
em oração, provérbios e calores.
current soundtrack:
unknown caller - u2
Ana Margrit |
Segunda-feira, Janeiro 17, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.14.2011
CHÃO
Aqui nesse planeta, as coisas podem acontecer. A gente imagina e tudo se torna real. Mas cuidado com o que pede. Cuid... Eu dizia, eu queria dizer que o mundo poderia ser caramelo. Mas é cor de rosa. É novo. É abismo que se abre. Pra menina. Você vê? Ana, era uma pequena menina. Mas aqui nesse planeta coisas podem acontecer. Músicas tem cheiro. Cores tem sons. Tudo é um pouco confuso. Mas a gente aprende a viver.
Quando o céu abrir sua primeira fresta, parecia inspiração. Toda força, mas a delicadeza era de uma lágrima. Tudo o que pulsava doía. Mas doer não era ruim. Também era parecido com música.
Que som tem a liberdade?
Aqui nesse planeta precisamos de chão porque é muito fácil sonhar. É preciso o substrato do que pesa e me faz lembrar: menina. Se esse por do sol pudesse ser mais bonito, acho que implodiria a poesia. Um brilho tão forte. Mas aqui nesse planeta o que existe fora só pode vir de dentro. Fiquei feliz ao saber que eu sabia brilhar.
Que cor tem a felicidade?
Eu podia falar e esperar o mistério. A falta de pressa em me apressar e dizer: preciso de abrigo. Preciso desse canto de segredo pra te contar. Sou assim, multiflorida. Um todo esquisito que se impressiona fácil. Com sua beleza. De dentro.
Você sabe seu nome?
Porque eu estou aqui sonhando vidas, tentando possibilidades de vidas e variedades. Felicidades. Ainda não consigo entender porque a gente tem que se prender. A uma história. A uma trajetória. Se o sonho é tão grande. O mundo é tão vasto. E eu aprendi a pular.
Porque no som dessa guitarra que explode todas as cores do mundo. Nesse planeta é fácil sonhar. Mas as pessoas não sonham. Porque esqueceram que o caminho é fácil. Não é pesado. É etéreo e acontece dentro de mim. Dele, ali. Dentro assim tão leve, que a beleza pode nos espiar para dizer. Que a espontaneidade da beleza só pode existir enquanto o som puder ter a liberdade de colorir o meu caminho que me leva. Quando sono e realidade forem uma só verdade e o sonho, minha vereda, nosso ser tão. A magia de poder descobrir e mais. Descobrir e mais. Livre pra ser. E realizar as coisas que aqui podem acontecer.
current soundtrack:
no line on the horizon – U2
Ana Margrit |
Sexta-feira, Janeiro 14, 2011 |
Comentários e manuscritos
SEPARAÇÃO
Eu. Precisava. De um silêncio. Eu mudava de casa como quem muda de roupa. Levava meus móveis, meus sonhos, minha rigidez em acreditar. Que eu escrevia. Essa história, esse final feliz. Eu via essa apatia mas pintava de cores quentes. Tintas. Eu queria. Eu precisava. Eu não sabia que conjugar a primeira pessoa cansava. Cansava elaborar tanto o que eu sentia. Eu sentia tanto. Era tanto que eu explodia diariamente a cada momento, a cada toque. Foi por isso que eu precisava mudar. Porque minha jaula já não cabia em mim. Essas paredes são brancas demais. Eu preciso do roxo, do rosa, das cores que eu tenho dentro de mim. Porque eu falo tanto de mim que só vejo no outro o que eu quero acreditar. Eu pinto, escrevo, pra ver se o perfil da minha cabeça me convence mais. E as cores podem ser sempre diferentes. Podem ganhar tonalidades infantis. Eu quero poder brincar. Jogar esse jogo de estar tão livre que nem eu mesma consiga aprisionar minha felicidade. Estar assim, tão eu, tão sem necessidade. Só de silêncio.
Minha vaidade me impede de acreditar. De ver o quanto eu perco tempo. O quanto eu deixo de sentir por pensar. Quando eu sentava ao seu lado, Cortázar, seu metrô era mais subterrâneo dentro de mim. Intrínseco. Eu viajava nas tuas passadas, criava tua história que se confundia com a minha.
Eu pintei minha casa de rosa na esperança que o outono fosse chegar. Eu precisava. De todas as quedas, todas as máscaras, todas as folhas.
Em branco.
current soundtrack:
Masters of War - Bob Dylan, com Eddie Vedder
Ana Margrit |
Sexta-feira, Janeiro 14, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.11.2011
FALTA
Eu queria ele inteiro. Pra mim. Entorpecido com meu egoísmo. Minha fala entrecortada de pensamentos confusos. Minha falta de linearidade. Que ele entendia. Porque eu penso demais. Eu queria ele inteiro, sem mobília, sem medos, sem poses. Com toda a força que a liberdade haveria de trazer. Com minha coragem de encontrá-lo e dizer tudo aquilo que eu não conseguia. Eu fui. Uma, duas, três vezes. Porque insistentemente dançávamos gentilezas. Toques suaves de corte e eu gostava. Inventava. Sutilezas em meio ao duro trabalho de se lapidar. Descobrir que eu não sentia mas inventava que sentia era o meu medo. Quando entendi que tudo o que eu fazia era criar cenários para poder ser assim, mais mulher para ele gostar. Criar esse personagem de super-homem que me salvava da masmorra. Do tédio. Do precisar desejar. Eu desenhava cada milímetro de toda a dança. Da minha vida. E ele sabia. E me inventava também. Me levava a passeios de campos e gramados, onde eu plantava insensatez. Ele, por sua vez, racionalizava cada passo. Cada milímetro. Vigiava cada palavra, me mostrava a ingenuidade do que eu sentia. Éramos pessoas que forjavam outras pessoas dentro de nós mesmos. E dançávamos. Esperávamos que a imagem refletida fosse fiel, mas era cópia dos modelos que deveriam ser. Ele não sabia, tampouco eu queria que ele soubesse. Mas eu escrevia uma história. E ele ia.
current soundtrack:
use somebody - kings of leon acoustic cover por pixie lott
Ana Margrit |
Terça-feira, Janeiro 11, 2011 |
Comentários e manuscritos
1.8.2011
FIM
Foi quando eu percebi. Que essa casa, esse lugar. Tudo ficava melhor sem mim. Não havia espaço. Mas minha necessidade de preencher cada poro, minha cegueira, meu torpor. Eu queria a pose, o sonho, a construção. Mas não tinha plano, não tinha idéia. Pensava ser possível essa ilusão de que esse amor era o bastante. Mas sou pequena. Tão pequena dentro de minha imensidão. Vazia. Sem sentido. Meu drama, conjecturas de bobagens infantis. Eu me distraio. Eu desvirtuo. E perco o principal.
Agora o medo. E a vida.
Em branco.
current soundtrack:
pale blue eyes - lou reed ou marisa monte (better taste)
Ana Margrit |
Sábado, Janeiro 08, 2011 |
Comentários e manuscritos
12.23.2010
EMPATE
Eu quero o jogo.
Não cogitar olhar pro adversário. Preciso da palavra. Preciso do encanto. Concretizar a arte é detalhe diante do prazer de jogar. Quando um olhar é lançado bem diante desse olhar que é uma bola, que quica, e se joga, se olha, se sente, sente que está vivo um tufão de vidas e percepções, bolas e oras.
Pois na hora do jogo é preciso força, objetivo, nitidez. Uma racionalidade que pulsa no horizonte de probabilidades e prazeres. Minha matemática. Seca. Cortante. Rigidamente planejada.
Quero jogar.
Minha alma nesse abismo de não sei. De corrida, de perigo. De a beira de um desconhecido imenso. De incenso que meu ouro protege. Minha riqueza. Que é a alegria de poder se jogar. Cortinas e segredos. Vidas intercaladas de suspiros. Pernas, desejos. Busca, intenção.
Jogo.
Minha vida de certezas na lama. Deixo minha segurança no passado só para assistir de cadeira cativa o que cativa meu desejo de jogar. Cada jeito, cada tropeço, cara equívoco.
Música. Cada acorde que ilustra movimento.
Contentamento.
Entro.
Turbilhões, sonhos. Desejos. Pulsões.
Incríveis febres infernais. Crio nesse universo de histórias e possibilidades.
Um castelo de areia para o placar de nós dois.
current soundtrack:
you`re gonna make me lonesome when you go - madeleine perreux
waste - dave matthews band
Ana Margrit |
Quinta-feira, Dezembro 23, 2010 |
Comentários e manuscritos
12.20.2010
PARTO
Penso que descrevo o mundo com essa mente inconsciente. Meu consciente é a voz do coletivo que permeia minha racionalidade. Pensamos juntos, em uníssono. Mas achamos que cada consciência está abarcada em cada corpo. Como se cada um pudesse estar separado, dividido. Minha consciência é a sua consciência. O que penso permeia o que ele pensa. Dessa rede, formamos o halo que não queremos enxergar. A sapiência primeira. De onde derivam a criatividade, a propriedade, a inovação. Minha consciência é a sua consciência. Mas teimamos em separar. Achando que a minha consciência é maior do que a sua consciência. Que determino mais do que você o que há de existir. Cada corpo pode estar tanto mais, tanto menos desperto para o processo de acontecer da mente coletiva. Apenas o mundo interior pode nos revelar a individualidade. A parte única de si. Da sapiência, pra fora, o entendimento de mundo, de Gucci, Fendi a Diesel. De Física Quântica a rebanho de Nietzsche. Tudo isso pertence à massa primeira da sapiência única que permeia toda a nossa possível racionalidade. Nossa ingenuidade. De que sabemos alguma coisa criada. De que exprimimos o único de dentro. Minha única sapiência é a minha ignorância. Meu útero.
Enquanto isso.
Aguardamos o interlúdio.
Eis o nascimento de um novo homem.
Ana Margrit |
Segunda-feira, Dezembro 20, 2010 |
Comentários e manuscritos
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