12.5.07
 

minha alegria

Eu vou devagar. Sentindo uma saudade, sentido uma lembrança, sentido perder-se no ar. Andando, sincronias passam por mim. Eu meço palavras, olhares, pesares na esperança de não denotar minha ira. Encontro imensos e as hipérboles me soam tão bem. Careço perigo, pois se encontro contigo me perco de mim. Tento forjar coincidências, na medida crescente em que minha memória é o grito de dor desde a plena ausência do que você nunca esteve. Minha alegria é mais rara quando plena encara a beleza de ser inteira. Preencho meus espaços quando escrevo os compassos do que me acorde feliz. Ouça o preço da felicidade para aprender que na vida há que se compartilhar. Dar e receber é demasiado fácil para apresentar o mero desafio. Ir mais fundo na cicatriz e lembrar que somos todos na mesma toada, somos a mesma estrada buscando o sorriso comum. Enquanto houver a separação, o hiato, haverá o grito, o espasmo, a dor de viver no não. Minha alegria é ainda mais cara quando plena escancara a beleza de ser inteira.

Ana Margrit | 12.5.07 | Manuscritos


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