31.8.08
 

Viajar

Para mim, viajar sempre foi um retiro para a alma. Quase um ritual de olhar para dentro. Pois ao viajar, sempre conseguia diminuir o hiato, o grito, o medo da rotina. Engraçado que em todas as viagens, a rotina de hábitos e presenças foi o que mais se fez presente. Convites para viagens que nada diziam para mim, sinônimo de recusa. Temos que ser mais honestos uns com os outros, era o que eu pensava. E recusei. Dezenas delas.

Entretanto, venho enfrentando uma descoberta. A mais recente. Tenho sentido por estes dias as mesmas sensações de maravilhamento que tive ao estar em Nova Iorque, em Roma, em Los Angeles, em Londres, em Praga e em Paris (as poucas cidades que conheço até hoje). A sensação do novo. A sensação de que estou presente e o cotidiano olha para mim, passa ao largo e eu consigo me destacar daquilo tudo ao mesmo tempo que sou tudo aquilo ali, acontecendo, agora.

O agora... estou viva no agora. Observando as pungências, as presenças e as ausências. E no meio de tudo isso, a vitalidade. A vontade de viver de verdade. O amor que sinto pelas pessoas pelas quais eu realmente sinto uma conexão. Amor.
É o amor maior que o mundo. Viver no agora. Viver no presente. Silêncio.

E vem a questão. Viajar para dentro de si; será que esta é a melhor viagem? Pena que ainda são poucas as pessoas que têm a dimensão do que é viajar para dentro de si. Mas o negócio está crescendo... tá crescendo.

A ver...



guarda dinheiro e vai pra lá um dia:
fresh brand new new york

Ana Margrit | 31.8.08 | Manuscritos



 

Reverso
assunto de hoje: o corpo que fala


Consciência corporal era algo que eu pensava que, definitivamente, não existia. Ou, se existisse, definitivamente não era coisa pra mim. Pois não é que meu corpo vem reagindo de uma maneira muito esquisita ultimamente? E melhor: venho reparando e sentindo suas broncas. Por exemplo, o café. Algo que sempre adorei. Desde a bebidinha até os pontos que em São Paulo se propagam (e que em Nova York, ah, Nova York... pontos que são a cara de Nova York e eu adoro).

Continuo amando os lugares que servem café. O cheiro, o charme. Tudo. Continuo curtindo demais cada um, assim como a padaria do seu Benjamin Abraão, em Higienópolis. Ou a padaria Angélica, um pouquinho mais pra baixo do bairro. Ou a Letícia, no Alto da Lapa. Cristalo, Suplicy, até a Starbucks me encanta. Mas meu corpo não suporta mais, entretanto, a bebida. Bemg! Taquicardia insuportável. Até vontade de fumar dá. Parei de fumar faz um tempo e não tive recaída. Tenho certeza de que a massagem ayurvédica me ajuda muito. Mas a consciência que a massagem proporciona me deixa mais equilibrada para fazer e refazer minhas escolhas. Escolhi que não vou beber mais café. Comentei com minha nutricionista sobre esse lance, da irritação que sinto também. E ela foi clara. O corpo está sempre respondendo imediatamente ao alimento. Dar taquicardia é o mesmo que o corpo gritar que não quer aquilo aí. Ou seja, basta com o café.

Acabei de assistir ao filme "Breakfast at Tiffanys". Lindo, sempre. Engraçado como o cigarro e tudo o que é ruim fica charmosinho nesses filmes.

Voltando ao corpo, não é só com café que as coisas têm ficado críticas. O excesso de pão. Percebi também que fico irritadiça. Com bebida alcoólica, sem comentário. A sensação de inchaço no dia seguinte é insuportável. E penso: tem certas coisas que são boas demais, mas o preço que a gente paga por consumí-las é alto demais. A consciência fica entorpecida. E pôr pra dentro algo que vai afetar meu poder de discernimento? Tô cada vez mais fora. Engraçado é meu marido começar a ver meus hábitos e começar a mudar os deles também. Sem eu dizer nenhuma palavra! DE FATO, o exemplo faz milagres. Cobrança e chateação tá com nada. Tá todo mundo bem grandinho pra saber o que é melhor pra si mesmo.

Em tempo, não estou mais na yoga todos os dias. Agora, três vezes por semana. Puxar demais o ritmo, sendo que nossa cabeça não acompanha, é só um passo para a frustração. Eu não estava acompanhando e, ao começar a perceber essa frustraçãozinha, pem! hora de revisar conceitos. Dei uma relaxada e como isso me fez bem. Yoga sempre. Mas é mais importante a gente perceber nossos limites e qual a finalidade de tudo aquilo. Seja com a yoga, seja com um sorriso, seja com uma bronca, seja a aceitação, seja a hora de dizer não.

na vitrolina, clica lá:

Hanuman Chaleesa - Krishna Das

Ana Margrit | 31.8.08 | Manuscritos


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