12.10.08
CIRCO
O que resta é esse nó. De garganta, de sentimento, de vida passada e vivida. De dizer que já fui sua, minha alma, cada pulso, cada susto, cada laço. De recordação que a gente vê passar na frente e não acredita que passou. Qual vida? Aquela quase morte. Aquela que pululava, rainha. Ainda existem. Desse vulcão que mora aqui dentro, de cores e vertigens. Que periodicamente insiste em transbordar. Toda complexidade, daninha. Voltei a cantar. Queria te dizer. Que todo sentimento que revive, só existe dentro de mim. Que todo universo de vermelhos e paixões é de minha natureza. E de outras vidas passadas, só me esqueço dos instrumentos. Comezinhos trapezis. Sinto. Ser pessoa é ser efêmero, ser alguém para alguém é morrer um tantinho pra gente. Neste circo. Somos o que sentimos. Em primeiro plano. Infinito. Um vulcão e esse nó. Resta na garganta um quente de vida breve, vivida. Eu sou. De sobressalto.
Ana Margrit |
12.10.08 |
Manuscritos
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